Uma breve história da rede Mandarin Oriental

Uma breve história da rede Mandarin Oriental

Uma breve história da rede Mandarin Oriental

Hong Kong já era um nome e tanto no contexto político-econômico mundial do começo dos anos 1960, mas era também uma cidadezinha bem difícil de encarar. Praticamente ninguém falava inglês, e encontrar um restaurante ou hotel minimamente limpo para os padrões ocidentais, tarefa quase impossível. Somente em setembro de 1963 o jogo começou a mudar, com o surgimento de uma marca que muito rapidamente viraria uma potência do turismo mundial. A inauguração do The Mandarin foi anunciada pelo South China Morning Post como se o país estivesse finalmente testemunhando a chegada da era espacial, graças aos modernos elevadores “que catapultavam os hóspedes até a cobertura em exatos 21 segundos”. Foi o primeiro hotel da Ásia a contar com banheiros em todos os quartos, para horror dos operários chineses, que jamais entenderam aquele exagero. E nas duas décadas seguintes, seria pelos salões do The Mandarin que o ocidente iria realmente conhecer Hong Kong.

A vista impressionante do The Mandarin em Hong Kong

Em poucos meses, o hotel passou a ser mencionado internacionalmente ao lado de grandes estrelas da região, como o Imperial de Tóquio, o Raffles de Cingapura, ou o Oriental de Bangkok, com quem mais tarde viria a fundir-se. O último xa do Irã, Reza Pahlevi, era fã de carteirinha da crepe suzette servida aqui; Gina Lollobrigida por sua vez preferia as margueritas, e Henry Kissinger mantinha sempre uma limusine Rolls-Royce Silver Phantom estacionada na garagem durante suas rodadas de negociação com comunistas chineses. Pelo lobby circulavam a todo o tempo homens de negócios de todos os cantos da Ásia, playboys milionários, subcelebridades do cinema e herdeiros de famílias reais dos mais bizarros países.

Com a expansão da rede hoteleira de luxo de Hong Kong – o Four Seasons, veja só você, teve a pa-chor-ra de abrir suas portas na cidade a inaceitáveis duas quadras de distância –, o Mandarin precisou renovar-se sem perder suas características. E em 2005, um banho de loja de US$ 150 milhões requalificou o hotel simplesmente como o ápice do luxo contemporâneo combinado com a herança do impecável serviço oriental. Cenógrafos de Hollywood foram chamados para desenhar os interiores. As 71 suítes (são 501 quartos no total) oferecem vistas magníficas para a cidade e o famoso Victoria Harbour. Sua cena gastronômica é impressionante: tem dez restaurantes de diferentes perfis, sendo três estrelados pelo guia Michelin: Pierre, com duas estrelas, e ainda comandado por Pierre Gagnaire, chef premiado com três estrelas, o Mandarin Grill e o sensacional cantonês Man Wah, com uma estrela cada. No total, o grupo orgulha-se hoje de reunir uma constelação de 16 estrelas do guia.

Vista interna do Man Wah, restaurante cantonês do grupo

O The Mandarin começou a se internacionalizar em 1974 com aquisição de 49% do controle de outra marca de sonho: o, primeiro hotel da Tailândia, construído em 1865, e já reconhecido como um dos melhores hotéis de luxo do mundo. Sua lista de hóspedes famosos vai de Pelé a Princesa Diana, passando por Audrey Hepburn, Sophia Loren e Neil Armstrong, entre dezenas de outros. A ala dos autores, remanescente do prédio original do século 19, tem suítes batizadas com nomes de escritores que escolheram o hotel para dedicar-se a boa literatura, como Joseph Conrad, Somerset Maugham e Nowel Coward. Os números por aqui também são superlativos: são oito restaurantes, 358 quartos e 35 suítes únicas (nenhuma é decorada igual a outra). O café da manhã do Terrace Riverside é simplesmente um dos melhores servidos no planeta, e o hotel conta com uma respeitada escola de culinária tailandesa.

Em 1985, a combinação do nome das duas primeiras propriedades fez surgir o Mandarin Oriental Hotel Group, que hoje conta com hotéis espalhados por 26 países. O grupo investidor e de gestão de hotéis, resorts e residências de luxo, detém atualmente 41, propriedades somando mais de 10 mil quartos. Ao todo, são 18 hotéis na Ásia, 12 na América e 11 divididos entre a Europa e o Oriente Médio. Além de estarem em desenvolvimento mais de 12 condomínios de casas de luxo ligados aos serviços oferecidos pela rede. Para este ano, o Mandarin Oriental planeja inaugurações em Pequim, Milão e Marrakesh, mas entre os planos estão outros 17 empreendimentos em desenvolvimento. Lançada na metade dos anos 80, a logomarca do leque foi criada pela famosa agência Pentagram, que buscou um símbolo que representasse luxo, elegância e conforto.

Ao entrar pela primeira vez em um hotel do grupo Mandarin Oriental, a sutileza dos serviços é um dos pontos mais impactantes. No lobby, enquanto espera para adentrar o seu palácio temporário, toalhas umedecidas e quentinhas e um chá para começar o relaxamento são oferecidos aos hóspedes. No quarto, sempre uma grata surpresa o espera como uma carta de boas-vindas, música ambiente ou algum outro mimo. A ideia sempre foi entregar mais do que o cliente espera. Por isso, cada hotel não poupa esforços para criar uma estadia impecável. O design das propriedades é fundamental. Arquitetos e decoradores renomados são instruídos a misturar a herança oriental com elementos próprios de cada destino. As propriedades contam com toques de mestres como da designer de interiores Patricia Urquiola, no de Barcelona, ou na unidade de Nova York com as sacadas do visionário designer Tony Chi.

Piscina do Oriental Residence de Bangkok

Os spas do grupo, por sua vez, podem ser considerados um capítulo à parte. Eles valorizam a contemplação e a descoberta do corpo e da mente e são guiados pela filosofia oriental com toques da diversidade cultural em que estão inseridos. Por isso, o grupo criou para cada um dos seus hotéis uma experiência holística distinta com a intenção de não só oferecer massagens para relaxar corpos cansados, mas também programas que atendam às necessidades específicas de cada pessoa. A linha de massagens signature foi criada junto a especialistas da Tradicional Medicina Chinesa e Aromaterapeutas, com isso, protocolos para os mais variados problemas estão disponíveis para relaxar o corpo e a mente. Além dos espaços oferecerem aconselhamento nutricional, aulas de ioga e tai-chi, meditação, banho hamam ou circuito Kneipp.

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One Comment

  1. Trix
    jan 19, 2017

    Very true! Makes a change to see soomene spell it out like that. 🙂

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