A rota do vinho no Douro

A rota do vinho no Douro

A rota do vinho no Douro

Uma das feras do jornalismo carioca, Renata Fraga empresta hoje seu talento para agências de PR e comunicação corporativa. Em suas últimas férias ela esteve em Portugal com o marido, Roberto, e compartilha aqui com nossos leitores a experiência de sua visita a Portugal e vinícolas bacanérrimas como a Cockburn’s ou a Quinta do Vallado. Aprecie!

 

Um dos prazeres de viajar para Portugal é o de conhecer suas vinícolas, caves e experimentar vinhos deliciosos, alguns raros. Isso sem falar nos azeites, que também são uma atração à parte. A região de Vila Nova de Gaia é parada obrigatória para quem visita a cidade do Porto e aprecia vinhos. Situada à margem do rio Douro, é o lugar onde estão as caves do mundialmente conhecido vinho do Porto. Neste circuito, todo o processo de fabricação, armazenamento e amadurecimento de um dos mais famosos vinhos do mundo é explorado. São contadas histórias curiosas sobre a antiga região de vinho demarcada e regulamentada do mundo.

O meu passeio pelo mundo dos vinhos portugueses começou por Vila Nova de Gaia, no Porto. Já tinha ouvido falar muito bem das degustações da Casa Ferreirinha, Sandeman, entre outras. Escolhi a escocesa Cockburn´s, uma das primeiras a se estabelecer na região e é considerada por muitos como uma das mais bonitas. Os melhores lotes de Vinho do Porto Cockburn’s envelhecem em cascos e balseiros de carvalho, muitos com mais de cem anos. A famosa avenida central, que atravessa a cave, tem o pavimento em basalto branco e negro, tipicamente português, que exibe orgulhosamente o “galo e a coroa”, símbolo da empresa.

A Cockburn’s foi fundada em 1815 por Robert Cockburn, um soldado escocês que combateu em Portugal durante a Guerra Peninsular. Hoje, a empresa pertence à família Symington, produtores de Vinho do Porto há mais de 125 anos. Além de conhecer a cave e assistir a um filme sobre a história da Cockburn´s e do vinho do Porto, a degustação, no final da visita, é uma oportunidade para relaxar, experimentar novos sabores – ao contrário do que leigos pensam, o vinho do Porto tem variações bem mais interessantes do que daquele mais doce – e para fazer novos amigos. Novata, também aprendi a diferença básica entre um Porto Ruby e um Porto Tawny.

Gostei tanto desta experiência inicial no Porto, que resolvi esticar a programação de aromas e sabores pela rota do vinho na região mais rural do Douro. A maioria das quintas do Douro, espalhadas em uma rota de 150 quilômetros, dispõe de inúmeros serviços e luxos para encantar os visitantes. Mas são as vindimas o principal fator de atração turística. Minha visita, no mês de Outubro, foi perfeita! É um dos meses mais concorridos do ano, só perde para setembro. É quando os visitantes, além de degustarem, podem acompanhar a colheita e o preparo dos vinhos. A melhor pedida é se hospedar na região e reservar pelo menos de dois a três dias para circular de carro ou de bicicleta, sem pressa e admirar as belas paisagens. Também é possível visitar a região de barco, saindo do Porto.

Minha primeira opção de reserva, ainda no Brasil, com dois meses de antecedência, foi na tradicional Quinta do Vallado e, depois, tentei na Quinta do Crasto, esta última encanta os visitantes com uma piscina panorâmica sobre o rio, um espetáculo de vista! É bom preparar o bolso: as diárias nestas Quintas custam, em média, 200 euros. Ainda assim, são disputadas por turistas do mundo inteiro. Estava tudo lotado… O jeito foi sair do Porto de carro, em um dia de sol radiante, para um passeio despretensioso na rota das vinícolas, repleta de paisagens fantásticas com muitas videiras e oliveiras pelo caminho.

Lá pelo meio da tarde, arrisquei uma visita de última hora e dei um pit stop na Quinta do Vallado. Não indico esta falta de planejamento, mas dei sorte! A última visita guiada do dia iria começar, às 15h10, e nos juntamos a um casal muito simpático de portugueses. O tour custa a partir de 40 euros por pessoa e há degustações de 5 ou 10 vinhos. A prova da qual participei incluía a degustação dos seguintes rótulos: Vallado Branco, Vallado Tinto, Touriga Nacional, Reserva Field Blend e Porto Tawny 10 anos.

Para quem gosta de vinho, a sensação que se tem ao entrar em uma vinícola do Douro como a Quinta do Vallado é semelhante àquela de uma criança ao entrar na fábrica do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. Começamos pelo pátio com a recepção das uvas conduzidas por esteiras e, depois separadas em tanques. Ao ver o primeiro tanque aberto de fermentação de uvas vermelhas, a vontade era de mergulhar lá dentro… (risos). A cor do vinho e o aroma me hipnotizaram. O guia logo nos explicou que aquele tanque era o à moda antiga, e logo conhecemos modernos equipamentos de desengaçamento das uvas, esmagamento, fermentação e estabilização, todos em aço inox e de alta tecnologia.

Depois, era a vez de conhecermos os famosos barris de carvalho, guardados em uma temperatura especial, isolados da luz natural em uma sala subterrânea. Os vinhos tintos se beneficiam de um estágio nos barris de carvalho, onde os taninos jovens são ‘amaciados’ pelo contato com a madeira, diminuindo o tempo necessário para que o vinho fique mais agradável de beber. O guia nos contou que o carvalho francês é o melhor e mais valorizado para o armazenamento. São barricas muito caras, chegando a 1000 dólares cada. As barricas são utilizadas em torno de três anos e, em seguida, descartadas.

A visita terminou na hora do pôr do sol, depois de uma conversa animada com o casal de portugueses e uma degustação deliciosa de vinhos. Todos ótimos, acompanhados por acepipes, como uma tábua de frios, queijos e pães deliciosos. A equipe da Quinta do Vallado é muito simpática e faz o visitante se sentir em casa em uma sala especial muito acolhedora. Ao anoitecer, na volta ao Porto, mais uma agradável surpresa: uma lua cheia e imponente refletia nas águas do Douro. Ao subir de carro uma pequena serra de volta para Porto, era possível admirar o Douro e as vinícolas lá de cima, uma paisagem inesquecível e que ficará gravada para sempre na minha memória.

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