Riviera turca

Riviera turca

Riviera turca

Nos últimos 30 anos, muita coisa mudou na Turquia. Já não se veem mais carneiros balindo pelas ruas, nem ursos dançarinos com seus treinadores. A globalização veio com tudo. Hoje é mais fácil cruzar com uma mulher de burca preta fazendo selfies (sim!) com um Iphone 7 Plus dourado nas mãos. Nesse país, o velho e o novo parecem conviver em relativa harmonia, e não é estranho você entrar num café e ver um metaleiro tatuado disputando uma partida de gamão com um amigo vestido em trajes nativos  típicos e com a tradicional barba comprida. Quem gosta de história, tem diante de si um prato cheio. Abraão nasceu aqui. Assim como Homero, Heródoto, São Paulo e muitos outros mais ou menos notáveis. Duas das sete maravilhas do mundo antigo estão localizadas nessas terras, as mesmas onde a Arca de Noé encerrou sua viagem e que servem como endereço também para um lugar mítico chamado Troia. Por outro lado, se nas próximas férias seu objetivo é não investir um só neurônio em algo mais complexo do que escolher entre vinho e cerveja, tudo bem. Aqui encontram-se também praias incríveis, banhadas por um impressionante mar verde-esmeralda, cheias de resorts de altíssimo luxo espalhados por todos os lados, onde baladas incríveis viram madrugadas – e elas hoje já rivalizam com points europeus manjados como Ibiza, Croácia ou a Córsega. Bem-vindo à Turquia! Durante uma semana, nossa sempre alerta reportagem percorreu esse fantástico país localizado entre a Europa e a Ásia para descobrir o que fez dele hoje o sétimo destino mais procurado do mundo _ apesar da buliçosa cena política insistir em atrapalhar a vida dos viajantes.

Seja por responsabilidade ou não do sucesso da novela Salve Jorge, nos últimos quatro anos o ritmo de brasileiros viajando para a Turquia explodiu. A Turkish Airlines, principal companhia do país, operava três voos por semana no início de 2010, e hoje voa diariamente para Istambul a partir de São Paulo com voos sempre lotados. E boa parte desses viajantes são efetivamente turistas, gente disposta a torrar suas liras em pashminas de cashmere ou potinhos do melhor – e talvez mais caro – açafrão do mundo, já que menos de 500 brasileiros mantêm residência fixa na antiga Constantinopla. Sim, isso mesmo, ao contrário do que muita gente pensa, apesar de ter sido capital de três impérios (romano, bizantino e otomano), a cidade perdeu o posto nos dias de hoje para Ancara. Mas quem foi rei – no caso, sultão – nunca perde a majestade, por isso não importa o quanto você se ache suficientemente viajado. Tenha certeza: Istambul vai seduzir você.

Haghia Sophia (Aya Sofya)

O mais conhecido ponto turístico da cidade é Hagia Sophia (“Sagrada Sabedoria”), antiga basílica cujas fundações remontam ao ano 532 e que até a construção da Basílica de Sevilha era a maior igreja do mundo. É um edifício impressionante. Sua cúpula tem 56 metros de altura, 33 de diâmetro e foi toda construída com tijolos de vidro decorados com mosaicos brilhantes. Rampas construídas com tamanho suficiente para que pudessem ser percorridas a cavalo levam ao mezzanino de onde se tem uma vista espetacular de sua grandiosidade. Quando os otomanos tomaram Istambul, em 1453, retiraram praticamente todas as referências a santos cristãos, instalaram enormes discos verdes com os nomes de Alá e do profeta Maomé e a transformaram em mesquita. E assim a “Sagrada Sabedoria” permaneceu até 1935, quando o presidente Ataturk, fundador da República da Turquia e o rostinho presente em todas as notas de liras, resolveu secularizá-la transformando-a em um museu. Durante a visita, não deixe de procurar a “coluna da lamentação”. É uma pilastra em um dos corredores laterais com um furo no revestimento, cuja lenda diz que é abençoada por São Gregório, o Milagreiro. Quem enfiar o dedo no furo e rodar a mão 360 graus garante a cura de todas as enfermidades, caso o dedão saia molhado. A fila para tentar a sorte com o santo é sempre imensa, e recomenda-se levar um vidrinho de álcool gel para limpar as mãos quando terminar. Afinal, são milhares de pessoas há milhares de anos enfiando o polegar no buraco. Já viu, né?

Mesquita Azul

Hagia Sophia está separada pelo parque Sultanhamet (recentemente alvo de um atentado a bomba) do segundo mais visitado ponto turístico de Istambul: a Mesquita Azul, construída nos anos 1600 pelo sultão Ahmet, primeiro de seu nome no Império Otomano. Dizem que enciumado com a beleza da antiga basílica dos cristãos, ele mandou construir um monumento que se equiparasse ou mesmo superasse a vizinha em grandiosidade e beleza. O resultado impressiona. Só de pé-direito são 47 metros. A mesquita tem 260 janelas decoradas com vitrais que representam as tulipas da Turquia, e seu nome se deve aos mais de 20 mil azulejos azuis que a cobrem. Cada uma das colunas que sustenta o teto é formada por imensos blocos únicos de mármore – o que permite uma leveza incrível ao conjunto. Uma das brincadeiras entre os turistas é tentar decidir qual das duas construções é a mais incrível. A parada é dura, mas pode render boas horas de papo nos bares da vida.

Cisternas turcas

Aproveite a passagem por Istambul para conhecer outro marco impressionante: as imensas cisternas construídas pelos romanos no século 6. Existem nada menos que 60 delas espalhadas pela cidade. A mais badalada tem 140 metros quadrados debaixo da terra, estrutura sustentada por 336 colunas de 9 metros de altura e capacidade para 100 mil toneladas de água. A simetria é impressionante. Uma das brincadeiras aqui é procurar as colunas que foram erguidas sobre blocos de pedra esculpidos no formato da cabeça da medusa. É que cada uma delas está posicionada de um jeito, ou de ladinho ou de cabeça para baixo, e passados quase 2 mil anos ninguém conseguiu entender por quê. O que para alguns pode ser algum tipo de paganismo tardio para aqueles tempos, mais parece mesmo erro do pedreiro.

Outra visita imperdível é o Topkapi (Palácio da Boca de Canhão), antiga residência do sultões otomanos. É como se fosse um imenso jardim cercado por uma grande muralha, com tulipas plantadas por todos os lados. Na primavera, o cheiro das flores é inebriante. Além da arquitetura esplendorosa, o local exibe joias da antiga família real, com destaque para o imenso diamante, quase do tamanho de um punho cerrado, tão pesado que era usado por sua majestade em seu turbante; a espada dos sultões cravejada de imensas esmeraldas; e o bercinho de ouro onde os recém-nascidos eram colocados em sua primeira noite para que se cumprisse a tradição. Não deixe de visitar as imensas cozinhas, onde 800 pessoas trabalhavam ao mesmo tempo nos áureos tempos. Detalhe curioso: se por algum acaso um provador do sultão morresse envenenado, todos os 800 eram passados na espada. Um método um tanto ou quanto radical de garantir que todo mundo vigiasse todo mundo o tempo todo.

Mas Istambul não vive só do passado. Ruas como a Abdi Ipeki Caddesi, por exemplo, não deixam nada a dever a chiqueria de uma Oscar Freire ou Garcia D’avila. Localizada a alguns metros da belíssima Torre de Galata, construída pelos genoveses em 16XX e de onde se tem vista privilegiada para toda a cidade, por ali já se veem grifes turcas de alto luxo como a Vakko ou a Mapa com suas lojas supersofisticadas ao lado dos pontos de vendas das marcas internacionais de luxo que todo mundo já sabe quais são. A região abriga dois endereços importantes: a deli Gulluoglu, onde você poderá comer as melhores baclavas (doces folhados) de sua vida, e o Oskeroglu, cuja esfiha é tão maravilhosa que vai deixar você com raiva daquela coisa massuda que alguns têm o descaramento de vender por aqui com esse nome.

Naturalmente, a comida turca é algo muito maior e mais interessante do que quibes e esfihas – que de turcos, para falar a verdade, têm muito pouco, os libaneses que o digam. Uma visita ao Spice Market de Istambul é a prova disso. Você ficará impressionado com a quantidade de chás, temperos, currys, e é impossível voltar para casa sem um saco de pinolis que aqui saem a preço de banana. Mas o que é realmente imperdível é o açafrão turco, uma joia da gastronomia que pode custar a partir de R$ 80 o grama. Para cerâmicas típicas, artigos de couro levíssimo – uma especialidade turca –, tapetes ou centenas de opções de Nazar (o famoso amuleto azul chamado de Olho Turco ou Grego), a dica é dedicar um bom dia a bater pernas pelo Grand Bazaar. É um dos mercados mais antigos do mundo, com 60 ruas e mais de 5 mil lojas onde se vende de tudo muito. Pechinchar aqui é, mais do que uma arte, uma obrigação. Chegue sempre sorrindo, jogando um lero, se possível sobre futebol. Os turcos adoram futebol brasileiro e, dependendo de sua capacidade de se fazer simpático, pode conseguir descontos de 30% a 40% no valor inicial do produto.

Distante apenas uma hora de voo de Istambul está uma outra preciosidade turca ainda pouco desbravada pelos brasileiros: Bodrum, a antiga Halicarnasso das histórias clássicas. Hoje um badalado centro náutico e de turismo, capital informal da Riviera Turca, durante séculos foi conhecida pelo túmulo do sápatra (governador) Mausolus, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e que deu o nome a palavra “mausoléu”. Hoje apenas algumas rochas restaram da antiga e imponente construção. É que em 1404 os Cavaleiros de São João destruíram o mausoléu para usar suas pedras na construção do Castelo de São Pedro, outra maravilha arquitetônica na entrada da baía da cidade.

Rixoa Premium Bodrum

Bodrum (pronuncia-se bódrum) é uma espécie de Armação dos Búzios do Oriente, ou um mix entre Ibiza e Ilhas Gregas. Os nativos apostam orgulhosos que em poucos anos o destino se tornará uma nova Saint-Tropez. Por todos os lados veem-se casas branquinhas, de no máximo três andares, que olhando de longe dão à cidade um tom meio parecido com Santorini, na vizinha Grécia. Aliás, a ilha grega de Cós, outro point em ascensão, fica a alguma horas de barco. O grande barato aqui é alugar barcos na sofisticada marina da cidade, que conta com filiais do Nobu e do Billionaires Club, e explorar o Mar Egeu. O mar é tão calmo que fica evidente por que gregos e seus vizinhos deram início à navegação. A sensação é que basta agarrar um tronco boiando para cruzar da Europa para a Ásia ou a África.

Mandarin Oriental, em Bodrum

Quase todas as principais cadeias de resort possuem propriedades por aqui – por lei, os grandes hotéis têm de ficar fora do perímetro urbano. Mas de todas elas, nenhuma supera em beleza e sofisticação ao Mandarim Oriental Bodrum. Comenta-se na Turquia que cerca de 20 famílias comandam a economia do país. Se você quiser encontrar com essa turma nas férias, este é o lugar. O resort conta com duas praias particulares, oito restaurantes, piscinas com fundo de mármore, vista infinita e água captada do mar. O spa é de primeira, com três salas de massagem e um centro para o hamman, o tradicional banho turco esfoliante que os romanos popularizaram em todo o mundo – os nobres o tomavam pelo menos uma vez por semana. A decoração é de extremo bom gosto, acrescentando toques orientais – marca dessa rede de Hong Kong – a elementos locais. Dos 59 quartos e 23 apartamentos, destacam-se as duas suítes presidenciais de tirar o fôlego. Cada uma conta com quatro quartos, salas de jantar, estar, TV, escritório, academia, elevador e piscina particular. As diárias custam em torno dos 20 mil euros. Uma pechincha. Você pode também comprar um pequeno pedaço desse paraíso para chamar de seu. O Mandarim Oriental Residences oferece 198 casas de quatro quartos com direito aos serviços do resort a partir da besteira de 6 milhões de euros.

 

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