Colômbia: bienvenido a casa!

Colômbia: bienvenido a casa!

Colômbia: bienvenido a casa!

Os colombianos não admitem, reclamam horrores do sotaque do ator Wagner Moura no papel de Pablo Escobar, mas a verdade é que boa parte deles está a-do-ran-do a repercussão internacional de Narcos, a série sobre o tráfico de drogas produzida pela Netflix. E a explicação é simples: de Medellin a Bogotá, os hotéis, restaurantes e lojinhas de artesanato andam hoje cheias de turistas querendo tirar a prova se o café deles é isso tudo mesmo, visitando museus incríveis como o do ouro ou o de Botero, conhecendo joias da arquitetura colonial latino-americana ou testando se a comida deles é mesmo especial como alguns dizem. E que se danem as Farc!

Como a sorte só ajuda a quem trabalha, coroando esse momento Bogotá vê renascer uma verdadeira lenda da hotelaria do país. Depois de um banho de loja da rede Four Seasons, foi reaberto há três meses o Casa Medina, hotel icônico do país, uma espécie de Copabana Palace ou Alvear da terra de Gabriel García Marquez (achou que eu ia falar de novo em Escobar, hein?).  O edifício foi construído em 1946 pelo arquiteto Santiago Medina Mejía, que, formado na França e cheio de ideias urbanísticas parisienses na cabeça, causou espécie na capital ao erguer o belíssimo prédio de quatro andares em uma região até então dominada por mansões espetaculares. Nos quase 40 anos seguintes, a Casa Medina funcionou como um dos primeiros condomínios de luxo da cidade. Já nos anos 1980, com os antigos casarões sendo gradativamente substituídos por novos edifícios, um grupo de empreendedores pensou em derrubá-lo e construir um edifício de escritórios. Mas a sociedade local reagiu, indignando-se contra a ideia da demolição. Após a polêmica, o governo decidiu sabiamente tombá-lo, reconhecendo oficialmente sua importância arquitetônica. Foi quando a Casa Medina foi transformada pela primeira vez em hotel, tornando-se rapidamente o point de celebridades, políticos e homens de negócios que passavam por Bogotá.

Vista interna do Four Seasons Hotel Casa Medina, em Bogotá

A aquisição pelo grupo Four Seasons preservou e aprimorou os detalhes arquitetônicos originais, como a belíssima escadaria original de madeira do prédio, ladeadas por janelas desenhadas com pássaros. Cada um dos 62 quartos e suítes é decorado de maneira diferente do outro. Suas pesadas portas são de madeira talhadas à mão e abrem-se para reluzente pisos de madeira machetada. Por todos os lados veem-se majestosas colunas de pedra, muitas delas vindas da demolição de antigos conventos e mosteiros dos tempos coloniais. O hotel conta ainda com spa, academia funcionando 24h, serviços de housekeeping duas vezes por dia, lavandeira, business support, transfer para o aeroporto e wi-fi poderoso. O único ponto que causa alguma controvérsia é a ausência de ar-condicionado nos quartos. Um detalhe, considerando que Bogotá, a 2.800 metros acima do nível do mar, é no mínimo fresquinha, quando não fica fria pra valer no inverno.

Fachada do Four Seasons Hotel Casa Medina

Somando à vibrante cena gastronômica da cidade, o Casa Medina inaugurou o Castañyoles Raciones Y Tapas, um restaurante e bar de tapas junto à rua, com lugares ao ar livre para ver e ser visto. Entre as opções estão arroces (risotos e demais pratos com arroz), bocatas, ensaladas e mariscos, além de tapas feitas com ingredientes locais. Para sobremesa, churros deliciosos e tortas típicas. Os barmen daqui são de primeira. A reportagem do Jabuticaba, primeiro veículo de comunicação do Brasil a conhecer o hotel, pôde conferir o talento da rapaziada. Ernest Hemingway disse certa vez que, caso você um dia se perdesse no meio da África, não haveria motivo algum para entrar em pânico. Bastaria parar com tudo o que você estivesse fazendo e começar a preparar um dry martini. Segundo ele, imediatamente surgiria alguém para lhe dizer que não estava colocando na bebida a quantidade correta de vermute. No Castañyoles, eles resolveram esse grande dilema da coquetelaria usando um borrifador de perfume para aspergir o vermute. Fica perfeito. James Bond aprovaria.

Mas se uma das razões de suas viagens são as experiências gastronômicas, Bogotá – com o perdão do trocadilho – é um prato cheio. Quem quiser experimentar as delícias da gastronomia local como o ajiaco, um caldo grosso e saborosíssimo feito de batata, mandioca, milho e frango; ou a bandeja paisa, um verdadeiro PFaço-aço-aço de arroz, feijão, linguiça, morcilla, carne moída, banana, guacamole e arepa (tortillas de milho), deve bater ponto no La Puerta Falsa, restaurante que oferece o melhor da culinária local desde 1816 e que fica bem ao lado da Catedral de Bogotá na Plaza Bolívar. O restaurante é também conhecido por servir  o melhor chocolate quente com queijo (isso mesmo!) da parada.

Mas uma ida a Bogotá jamais estará completa sem uma passada no divertido restaurante/bar/balada Andrés Casa de Rés, estabelecimento fundado em 1984 na vizinha cidade Chía, que na capital ganhou o nome de Andrés DC (algo como o nosso DF). O nome, que em português soaria como Andrés Carne de Vaca, foi apenas uma gracinha do fundador que buscava algo com sonoridade. É um lugar enorme, com quatro andares divididos em inferno, terra, purgatório e céu, cada um com suas peculiaridades estilísticas e arquitetônicas.  Centenas de itens claramente contraditórios convivem harmonicamente nestes ambientes. E todos, ou quase todos, estão à venda. Artistas promovem performances inusitadas – até mesmo na sua mesa – o tempo todo. Sem falar das sensacionais bandas de música latina e caribenha que incendeiam a noite neste que é um dos melhores lugares para quem quiser se dedicar à boa e velha arte da paquera na cidade.

Andrés Casa de Rés

Mas nem só de pão, ou carne, vive o homem. Em Bogotá reside um dos grandes museus do planeta. O melhor dos muitos de seu gênero: o Museo del Oro. São mais de 5.500 achados arqueológicos feitos do metal mais precioso do mundo que se revezam em exibição pelos seus quatro andares. Lembra na escola quando ensinaram que os espanhóis piraram o cabeção quando viram os adereços dourados usados por maias, incas e astecas? Aqui você terá a mais absoluta noção do que crime contra a humanidade que foi terem um dia derretido essas peças. Poucos museus na América Latina fazem frente a este. Já quem é chegado numa pegada mais kitsch, pode andar algumas quadras e visitar o Museu Botero, que reúne o maior acervo de obras dessa versão colombiana do Romero Britto. Algumas peças icônicas de escultura gordinha também estão em exibição por aqui.

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