As cachoeiras do Laos

As cachoeiras do Laos

As cachoeiras do Laos

Em mais uma colaboração para Jabuticaba, a advogada Layla Barros compartilha com nossos leitores um breve relato de sua experiência no Laos, um dos países mais interessantes do Sudeste Asiático. Confira abaixo:

As cachoeiras do Laos

A vista da janela do avião já era o prenúncio do que me aguardava em Luang Prabang, uma pequena cidade com aproximadamente 56 mil habitantes conhecida como a “Jóia do Laos” e declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1995. Não tive dúvida de que aquela linda paisagem da península situada entre os rios Mekong e Nam Khan anunciava dias de contemplação e calmaria.

Vista do incrível templo Phra Bang

Logo depois de me instalar numa guest house estilo colonial francês na região do Old Quarter (Centro Histórico) aluguei uma bicicleta e parti para explorar aquela cidadezinha tão charmosa, quente e silenciosa. Algumas pedaladas depois e me vi diante do belíssimo templo Phra Bang que fica na entrada do Palácio Real. Ali eu senti pela primeira vez a profunda sensação de presença no continente asiático. Minha viagem de um mês e meio pela linda Indochina havia começado.

Lembrei-me das palavras de James Hilton descrevendo Shangri-la como “a sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre pessoas das mais diversas procedências”. Assim eu me sentia… E então, pensei: estou em Shangri-Laos!
Nos dias que se passaram me encantei com os mais de 33 templos budistas, com o passeio de barco no pôr do sol pelo rio Mekong e com a vista deslumbrante de 360 graus da cidade do alto do Morro Phou Si. Mergulhei nas águas azul-turquesa das cachoeiras Kwang Si, que ficam nas redondezas a 30 km do Centro. É um parque que reúne várias cascatas e piscinas naturais, cujas tonalidades vão do azul-turquesa ao verde-esmeralda, que realmente chama a atenção pela sua beleza.

As delícias do imperdível Tamarind

Aproveitei também as delícias das culinárias francesa e asiática dos restaurantes de alto padrão, em especial o Tamarind que fica na margem do Rio Nam Khan e oferece um set menu imperdível. Tomei muita cerveja Beerlao no animado e cosmopolita Bar Utopia e apesar do limite de espaço no meu mochilão me rendi aos baixos preços dos lindos souvenirs vendidos do Night Market que acontece todas as noites na rua Th Sisavangvong.

Mas devo admitir que para minha surpresa essa jóia de cidade também me reservou momentos de desencantamento. Além de uma cidade turística, Luang Prabang é um destino místico e uma de suas atrações mais conhecidas é a chamada Ronda das Almas. O ritual budista acontece todas as manhãs bem cedinho com monges vestidos em trajes típicos na cor laranja, caminhando em procissão pelas ruas e recebendo doações de alimentos dos moradores e turistas que devem seguir uma “etiqueta religiosa” para não desrespeitar a cerimônia. Essa tradição faz parte do cotidiano da cidade, mas ficou tão conhecida mundialmente que já virou atração turística e me surpreendi com o semblante indiferente dos monges. O repetitivo movimento de receber os alimentos, encher a cesta e depois descartar para dar lugar a mais doações das centenas de turistas, mais interessados numa bela foto, pareceu incomodá-los profundamente. E aquela cena inicialmente pura e emocionante para mim perdeu a cor e experimentei um misto de comoção e decepção.

E assim, depois de surpresas boas e outras nem tanto, me despedi de Luang Prabang carregando na bagagem alguns presentes, muitas emoções e a certeza de que havia feito a escolha certa para o meu primeiro destino. Terminava ali apenas a primeira etapa da minha inesquecível viagem pelo sudeste asiático. Nessa odisséia eu ainda descobriria os encantos do Camboja, Vietnã e Tailândia. Mas, isso é assunto para outras histórias…

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